França quer distribuir álcool brasileiro

De olho nas perspectivas de produção do etanol brasileiro, a França quer fazer parcerias com o Brasil na área de distribuição marítima do produto. O diretor comercial do Porto de Marseille - a terceira maior cidade francesa - Jerome Giraud, enfatizou o interesse de firmar acordos comerciais com o Porto de Santos (SP) e fabricantes brasileiros para acesso a países de Magrem: Marrocos, Argélia e Tunísia, mercados vinculados à França. O porto de Marseille tem capacidade de absorver 100 milhões de toneladas anuais etanol.

"O Brasil precisará de logística com a grande capacidade para produzir etanol. Queremos ser parceiros do Brasil na área da distribuição do produto", disse. Segundo Giraud, já existe um acordo de cooperação entre os portos de Santos e o de Marseill, mas o tráfego marítimo ainda é fraco.

Giraud disse, ainda, que grandes companhias multinacionais, como Carrefour e Coca-Cola, instalaram plataformas no Porto de Marseille. Giraud estima que experiências semelhantes aconteçam também com empresas brasileiras fabricantes de etanol.

Necessidade do flex

Giraud disse ainda que a França deve começar a importar etanol a partir do momento em que o governo francês assinar o acordo em andamento com as montadoras, que propõe a fabricação de carros flex-fuell. "As necessidades de etanol fazem parte doplano do governo; precisamos de carros flex fuell."

O diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o brasileiro Alfredo Valladão, disse que o etanol precisa se transformar em commodity para ganhar mercado mundial de forma significativa. "A idéia é transformar o etanol em commodity para que ele tenha volume. A velocidade da tecnologia está caminhando muito rápido e ninguém sabe se a cana-de-açúcar será a única matéria-prima usada na fabricação de etanol nos próximos anos, pois alguns países estão produzindo etanol a partir da celulose", disse Valladão.

Para ele, o etanol precisa ainda ter políticas sustentáveis e certificações para dar certo. Valladão afirmou que o Brasil já esta trabalhando para atender a esse requisito. Além da cana-de-açúcar, a produção de etanol poderia ser sustentada com a soja.

Subsídios agrícolas

O analista do Instituto de Relações internacionais da França, Olivier Louis, disse que a Europa destina 1% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano para a subsidiar os agricultores do bloco. Os representantes da União Européia pretendem estudar a redução dos subsídios agrícolas por conta da elevação dos preços das commodities.

"Será preciso negociar o subsídio de uma forma global", disse. Os agricultores franceses querem ainda nacionalizar o orçamento dos subsídios agrícolas. Louis informa que os produtores rurais representam 4% da população francesa e a receita proveniente do campo representa 2% do PIB doméstico. "O sindicato agrícola está favorável a nacionalização da agricultura". (Gazeta Mercantil/Viviane Monteiro)

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